Conclusão da Pesquisa - O Contrabaixo e a Criança Surda
Antes de iniciarmos as fases da pesquisa, tínhamos em mente " o que" e "como" introduzir o conhecimento do contrabaixo para o aluno surdo, porém, no decorrer dos estudos, tivemos que várias vezes, modificar e/ou adaptar conteúdos, construir frases rítmicas, conhecer melhor o que é ser surdo, solicitar opiniões e assessoria de profissionais da área da surdez, de educação musical e expressão corporal, sempre com o objetivo de enriquecer o processo de ensino e adquirir um suporte pedagógico. Desta forma, concluímos que, no corpo do surdo coexistem possibilidades e limites que perpassam as práticas corporais. O corpo surdo é um lugar privilegiado pela expressão de sua memória. Percebemos que por falta de uma comunicação verbal, é em seu corpo, que, movimentos, atitudes posturais, e gestos, exprimem a qualidade de sua vivência emocional. Ele substitui a perda da palavra com seu gestual. A vivência corporal está associada a compreensão do sentido relacional que este adquire, como portador de significados individuais e coletivos. A percepção dos graves que o contrabaixo oferece, pode ser trabalhado na expressão corporal e na música a partir de células rítmicas, pois o ritmo é inerente ao ser humano seja ele portador de surdez ou ouvinte. O contrabaixo, a expressão corporal, e estruturas rítmico/ musicais, podem ser trabalhadas em paralelo, na busca da valorização da auto estima e na interação social.
Os limites seriam demarcados pelas possibilidades de cada aluno.
Com este trabalho, espero estar contribuindo para que a educação do portador de surdez, numa dimensão não somente educativa, mas também sociocultural, seja facilitada objetivando a construção de novos saberes. |