Por: Rogério Pinheiro
Joel Moncorvo, um dos maiores baixistas da cena baiana, concordou em nos conceder uma entrevista e falar um pouco sobre a Slow, sua carreira como baixista e alguns outros assuntos. Confiram!
Acredito que seja melhor começar a entrevista falando um pouco sobre seu interesse em ser músico. Quando você começou a tocar, e qual o instrumento? O baixo é paixão sua desde quando, aproximadamente? E mais, como sua família participou, e tem participado, nessa sua jornada?
Joel: Quando minha mãe tocava piano, eu ficava quietinho observando, depois, sem que ninguém percebesse, eu ficava cantarolando as melodias. Hoje, entendo que eram momentos de quietude interior provocados pelas músicas... Acredito que daí começou o meu interesse pela música. Na escola primária, tive um bom professor de música. Ele despertava em seus alunos o valor e importância da musicalidade em nossa vida. Esses fatos foram marcantes, pois me provocaram o desejo de conhecer mais profundamente a música, especialmente o contrabaixo. Comecei a estudar música em 1978, quando tinha 7 anos. O meu 1º instrumento foi um contrabaixo. Com relação à participação da minha família, posso dizer que incentivo e liberdade de escolha são expressões do cotidiano da minha família. Meus pais sempre incentivaram meu envolvimento com a música e me permitiram fazer escolhas. Eles mostravam os dois lados da moeda, o lado bom e o ruim, o certo e o errado, o bonito e o feio... mas a escolha final era minha. Escolhi certo!
Você certamente fez parte de algumas bandas. Quais foram as mais significativas, e quando começou seu trabalho com a Slow?
Joel: Já fiz parte de algumas bandas, procurando sempre dar o melhor de mim. Posso destacar o trabalho na Direito Autoral e Dimy Ruffo (Rock), Dr. No. (Heavy Metal), Kaddish (Death Metal), Bass and Drum (Jazz). Todas as marcas deixadas foram positivas! Na Slow, comecei em 1992.
A Slow ficou alguns anos parada e todos pensavam que ela, definitivamente, não voltaria mais à ativa. Quando e por quê vocês decidiram voltar?
Joel: Senti uma profunda necessidade de colocar novas idéias em prática. Tive uma conversa com o nosso baterista, Ricardo Bacellar, e, no final de 2003, decidimos juntos voltar com a Slow. Um outro detalhe é que sempre tivemos muito incentivo dos nossos amigos.
Nessa época, Merlin, vocal de longas datas, saiu da banda (NE. E foi para a Portal) e Jorginho (NE. Da King Cobra) assumiu os vocais. Explique o ocorrido.
Joel: As pessoas necessitam de mudanças, isto é inerente ao ser humano. Merlin estava em processo de renovação, muito atarefado, pois já tinha um outro projeto em andamento. Tivemos uma conversa franca, e foi decidida, pelas duas partes, a sua saída. Surgiu, então, a idéia de convidar Jorginho, pois eu já o conhecia há muito tempo e sempre gostei e admirei muito o seu trabalho musical.
Todos sabem da dificuldade que é um músico ser endossado por alguma loja ou empresa. Como, então, surgiu o endosso da M. Laghus?
Joel: Conheço o excelente trabalho do Jacimário (M.Laghus) desde a minha adolescência. Recentemente, estava precisando de um material para o meu contrabaixo. Liguei para a M.Laghus, sem saber que ele era o responsável pela empresa e ficamos conversando por duas horas. Descobri, então, que ele era o mesmo Jácimário que eu conhecia há muito tempo. A sintonia com o instrumento fez com que a nossa conversa não ficasse apenas por telefone. Foi aí que ele me convidou para visitar sua empresa. Chegando lá, fiquei fascinado com tudo o que vi, para onde olhava via contrabaixos, peças, projetos, fotos, enfim, um mundo feito para os amantes do contrabaixo. O endosso da M.Laghus foi baseado na certeza e na confiança de que juntos alçaremos vôos mais altos.
De uns tempos para cá você tem conseguido se destacar bastante no cenário nacional, inclusive saindo em algumas revistas, algo que também tem acontecido com o Ricardo Primata, guitarrista da Slow. Vocês participam de algum projeto solo, ou têm em mente lançar algum cd?
Joel: Fico muito feliz com o nosso reconhecimento, acho que é fruto de muito trabalho e aprendizagem. Com relação ao CD solo, tenho um projeto instrumental em andamento, que deverá ser lançado ainda esse ano, mas no momento todas as atenções são voltadas para a gravação do CD da Slow.
Aproveite a deixa e fale sobre suas aulas e workshops.
Joel: Venho realizando várias Palestras, Clínicas, Workshops e Workshows em escolas, universidades, shoppings e teatros. Sempre convido amigos músicos, em especial guitarristas e bateristas, para darem a sua contribuição e enriquecerem ainda mais a apresentação. A receptividade do público é sempre muito positiva. Quanto às aulas, são basicamente práticas. Familiarizar-se com o instrumento é primordial. Ver nele, um amigo, um parceiro, é o começo da grande jornada em busca da variedade sonora.... Oriento o aluno no uso do metrônomo e sempre tenho o auxílio de uma bateria eletrônica, na qual faço várias programações, sempre simulando vários ritmos e acompanhamentos. Em casos particulares, as aulas práticas também poderão ser feitas em estúdios, onde o aluno estabelece um contato com uma banda.
Estamos sempre antenados e procurando informações sobre as bandas e músicos da cena. Recentemente soubemos de um projeto seu, no mínimo audacioso e exemplar, de trabalhar com deficientes auditivos e de fala. O que você tem em mente?
Joel: Sendo minha mãe educadora de deficientes auditivos, venho acompanhando de perto o seu envolvimento e trabalho na área da Educação Especial, e recentemente, participamos de uma pesquisa onde encontramos respostas positivas quanto ao envolvimento da criança deficiente auditiva com a música. Parece impossível, mas não é. A privação sonora não impossibilita o deficiente de interagir com a música através de um instrumento musical, no nosso caso, o contrabaixo, desde que enfatizemos sua sensibilidade de percepção do mundo dos sons. O corpo surdo é um lugar privilegiado pela expressão de sua memória. A sua linguagem é cheia de riqueza criativa. Desta forma, acredito que o trabalho com o deficiente, através do ritmo musical, utilizando estruturas rítmicas, e da aprendizagem de um instrumento musical, o auxiliará no desenvolvimento da percepção auditiva.
Por fim gostaria de agradecer pela entrevista, e pedir que você deixe uma última mensagem para os leitores, além de seu contato para quem quiser saber mais sobre seu trabalho como baixista.
Joel: Este espaço é importante para que o músico se sinta prestigiado e valorizado, estes momentos são importantes em nossa vida. Aos leitores, agradeço a atenção. Para aqueles que desejam a iniciação na música, procurem bons profissionais, conversem com eles, leiam sobre os músicos eruditos e populares... o conhecimento, vem da pesquisa, da prática, do esforço de cada um, do desejo de fazer. Quem desejar entrar em contato comigo pode acessar o meu site www.joelmoncorvo.com ou pode mandar um e-mail para joelmoncorvo@joelmoncorvo.com Gostaria de agradecer ao BahiaRock e ao Rogério Metal pelo grande apoio. Abraço a todos e fiquem com Deus!