6-Algum fator especial te levou a optar pelo Contrabaixo como instrumento? Meu ídolo no passado é um dos mais notáveis baixistas mundialmente: Gene Simmons. Não por sua técnica, mas pela personificação, algo tão forte que me fez optar pelo baixo. E aí me aprofundei mais nos estudos e pesquisas, e descobri o quanto o contabaixo pode ser o principal instrumento numa música.
Gene Simmons, citado acima; Zuzo Moussawer, um dos primeiros baixistas-solo que eu ouvi na juventude; Billy Sheehan, por sua notável técnica e performance; John Myung, por um lado um tanto cruxificado por ser muito mecânico, mas esse fator me ajudou bastante nos estudos; Alain Caron pela sua maestria nos baixos com e sem trastes de 6 cordas.
Basicamente, Fusion. Rock/Blues/Jazz, mas com uma base forte fundamentada na energia do bom e velho rock’n’roll. Aprecio “tudo que é som”, e isso é bem presente em minhas composições, onde existem vários elementos, desde o samba até o country e outros gêneros considerados “regionais”, como a música indiana e árabe.
9-Recado para os baixistas que estão começando a estudar: Abra a mente e, principalmente, os ouvidos ! Não se limite à determinados estilos, estude tudo o que for possível, ouvindo. Pesquise gêneros inusitados, isso pode ser determinante no seu estilo de tocar/compor. E toque, esteja sempre “na ativa”.
10-Como você analisa o cenário dos baixistas brasileiros? É bastante rico. De uns anos pra cá, o Brasil tem se reciclado e revelado vários talentos, em praticamente todos os gêneros.
Espaço. Creio que, principalmente quem faz música instrumental, falta espaço para divulgação, pra tocar e mostrar seu trabalho. Isso tem mudado um pouco, pois muitos músicos que conquistam algo, abrem espaço para novos talentos, mas ainda são poucos os que fazem isso. Acho que a união faz a força, literalmente... só assim esse obstáculo do espaço vai ser vencido.
Viver de música por aqui é cheio de entraves e obstáculos. Um deles é justamente esse – espaço. O que eu percebi nesses anos de estrada é que as pessoas estão bem abertas à coisas novas, mas isso acaba não chegando até elas pela grande mídia. Claro que tudo envolve questões burocráticas, mas creio que apostar no novo é a solução para a “reciclagem”.
13-Sugestão para os baixistas colegas de profissão: Para os que já estão na ativa, com trabalhos consolidados, sugiro que sempre haja uma pesquisa sobre novidades e também a busca por novos baixistas, independente do estilo musical que eles adotam. O público em geral está aberto para novidades, mas elas devem chegar até eles.
14-Qual o estilo que você mais escuta e nele o som do baixo é claro e nítido? Eu destacaria o Jazz e o “sambajazz”. São estilos em que o baixo se destaca por delinear/ritmar e marcar com nitidez. São estilos que evidenciam o baixo e o fazem ser o diferencial, na maioria das vezes.
15-O que você pretende fazer para melhorar a Cultura e a Cena Contrabaixística no Brasil? O primordial é desenvolver um trabalho digno, honesto, com qualidade e buscando novidades, originalidade. Certamente isso aproxima não só apreciadores do instrumento, mas apreciadores de música em geral e torna mais atraente para os baixistas também.
Minha carreira solo foi iniciada com meu primeiro trabalho “Crossing The Skies”, um CD conceitual que “conta” a estória de uma viajem, suas escalas/emoções e o destino. Surgiu como uma “trilha sonora”, mas ele ficou em aberto e pretendo concluí-lo com mais dois CD’s, formando uma trilogia. Está em pauta também um CD basicamente de “sambajazz” onde eu explorarei o baixo fretless, além de trabalhar e estar livre para trabalhos freelancer e como sideman de cantores(as), grupos, bandas e etc.
17-Você pretende lançar um segundo CD solo e como será esse trabalho? Sim, pretendo trabalhar neste CD de sambajazz antes de concluir a trilogia “Crossing The Skies”. Tenho os esboços desses 3 Cd’s, mas ainda nada concluído. Preciso divulgar este primeiro trabalho, que está apenas no início.
18-Você também ministra Workshops e aulas de contrabaixo? Sim, geralmente são baseados em temas e técnicas que eu uso em minhas composições, além de idéias composicionais que acabam ajudando aos espectadores de uma forma clara e objetiva, sem segredos. Nas aulas, eu procuro encaminhar com bastante objetividade a formação musical do aluno, “pegando pesado” em teoria (que é uma parte considerada chata pelos alunos, mas com minha metodologia é bem fácil de entender) além do desenvolvimento técnico dos alunos como forma de ferramenta, sempre pensando no lado criativo.
19-Deixe aqui a sua mensagem final para os leitores do JOEL MONCORVO.COM, para os fãs dos seus trabalhos musicais e para os todos os contrabaixistas. Usem sua maior ferramenta musical: seus ouvidos. Ouçam de tudo, sem preconceitos. E usem sua maior ferramenta “humana”: seu cérebro ! Estudem bastante, com coerência e objetividade. Esse é o caminho para o sucesso !
Contatos: Igor França www.igorfranca.com (redireciona pro MySpace) igor@igorfranca.com (email geral para contatos) www.youtube.com/silencebass (videos no Youtube) silence_bass@hotmail.com (MSN para aulas Online e contato direto)
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