História do Contrabaixo


O contrabaixo tem suas origens na Baixa Idade Média, por volta do ano de 1054.
Descendente de uma família chamada "violas", que se dividia em dois grupos, violas de braço e violas de pernas, o contrabaixo é hoje o maior herdeiro do som mais grave deste segundo grupo.
Por volta de 1200, o nome gige era usado para destinar tanto a Rabeca, (instrumento de origem árabe com formato parecido com o alaúde) e como a guitar-fiddle (uma espécie de violão com o formato semelhante a um violino). No Sacro Império Romano Germânico, quase todos os instrumentos eram chamados pelo nome de gige, havendo a gige pequena e a gige grande. A música executada neste período era bastante simples, as composições situavam-se dentro de um registro bastante limitado com relação a harmonia, as partes restringiam-se a duas ou três vezes. Era muito comum instrumentos e vozes dobrarem as partes em uníssono.(Ausência de intervalo entre dois sons emitidos simultaneamente.)
Com o passar dos anos, o número de partes foi expandido para quatro.
Aproximadamente na metade do séc. XV, começou-se a usar o registro do baixo, que até então era desconsiderado. Com esta nova tendência para os graves, os músicos precisavam de instrumentos especiais capazes de reproduzir ou fazer soar as partes graves. A solução encontrada pelos construtores de instrumentos, (luthiers) foi simplesmente reconstruir os instrumentos existentes, mas em escala maior. Ocorre, então, uma evolução técnica e artística de um instrumento em conjunto com a história da música. Assim, a evolução no número de partes da harmonia trouxe a necessidade de se criar outros instrumentos que desempenhassem satisfatoriamente aquela nova função.
De qualquer modo, seu ancestral mais próximo foi o chamado violine, que no início do séc. XVII tornou-se o nome designado à viola contrabaixo, mas apenas na metade do séc. XVII o nome do contrabaixo separou-se do violine, e começou a ter vida própria.
Entretanto, até a metade do séc. XVIII o instrumento não era utilizado em larga escala.
A orquestra do famoso compositor J.S. Bach sofreu muito na época por causa da insuficiência dos contrabaixistas. De acordo com registros históricos, até o ano de 1730, não foi encontrada nenhuma referência do instrumento atuando em Orquestras. Ainda faltava um longo caminho para a sua popularização.
Com o desenvolvimento da música popular, no final do séc. XIX, principalmente no que diz respeito ao jazz, inicia-se a introdução do contrabaixo com uma inovação: ele não era tocado com arco... apenas com os dedos a fim de que tivesse uma marcação mais acentuada.
O jazz se populariza e durante toda a primeira metade do séc. XX, o baixo só pode ser imaginado como um imenso instrumento oco de madeira usado para bases de intermináveis solos de sax, se bem que era usado também no princípio do blues e do mambo.
Foi assim até o ano de 1951, quando um norte-americano chamado Leo Fender criou o primeiro contrabaixo elétrico oficial da história. O primeiro modelo teve o nome de Fender Precision, e o nome não era casualidade: frente aos tradicionais contrabaixos, com o braço totalmente liso, o novo instrumento incorporava trastes. O nome Precision veio do detalhe dos trastes que fez com que a afinação do baixo ficasse exata, ou seja, passando de tom a semi-tom. Mas a revolução fundamental que representa o baixo elétrico frente ao contrabaixo acústico é a amplificação do som e o fácil deslocamento do músico com o seu instrumento. Se a solução antigamente havia sido aumentar a caixa de ressonância, transformando o violino em um instrumento imenso e com cordas muito mais grossas, desta vez a solução foi inserir uma pastilha eletromagnética no corpo do instrumento para que o som fosse captado. Além do mais, a redução do tamanho do instrumento permitiu aos baixistas transportá-lo com mais comodidade.
Mas nem tudo seria apenas vantagem, sobretudo para aqueles que tocavam baixo, mas não eram realmente "baixistas". Até então, o contrabaixo era o instrumento que todos acreditavam serem capazes de tocar, principalmente porque não se ouvia, de modo que muitos mais representavam em palco do que realmente tocar o baixo. A amplificação trouxe à tona quais eram os verdadeiros baixistas.
Os músicos de jazz e blues, a princípio, estavam divididos em opiniões, uns acharam a idéia interessante, outros mantiveram-se em seu tradicionalismo. Somente muitos anos depois o baixo elétrico seria tão popular na música em geral.
Nos anos 60, o papel do baixista segue sendo, basicamente, o mesmo que nos anos 50, um suporte harmônico. A partir de 1967, o baixo elétrico começa a aparecer, fundamentalmente no rock'n roll. O melhor exemplo talvez seja um dos grandes nomes de baixistas de toda a história: Paul Mc Cartney, no disco Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, dos Beatles.
Nos anos 70 mais um fato marcante. O contrabaixo começa a chamar mais atenção através das suas linhas e frases marcantes assumindo grande importância na cultura musical. É fundamental também o surgimento do rock progressivo, jazz moderno, fusion, heavy metal, punk, reggae, funk e a soul music.
Dos anos 80 até os dias atuais, o contrabaixo vem se destacando com belíssimos trabalhos musicais de verdadeiros deuses do grave.