O que é mixagem?

Confunde-se um pouco o conceito entre mixagem e masterização. Seria difícil traçar um divisor entre essas duas operações, mas vamos tentar de modo simples e objetivo explicar o sentido e a finalidade de cada uma dessas rotinas que são feitas no dia-a-dia, do músico amador ao técnico dos grandes estúdios profissionais.
Mixagem é o ato de após a gravação, “dosar” os instrumentos, timbres, vozes enquanto ainda estão em pistas separadas de gravação. Nessa fase o músico e o técnico procuram o melhor balanço para obter o resultado que esperam daquela gravação. Aumentar um volume, ajustar o panorâmico, ajeitar o reverb de uma caixa, equalizar uma guitarra, adicionar efeitos ou corrigir pequenos problemas da voz são feitos nesta fase. Isso é importante pois neste ponto as pistas ainda estão separadas, o que permite estas alterações individuais. Depois de finalizada a mixagem é feito o “bouncing” que significa juntar todas as pistas numa só (na verdade em duas pois falamos de um trabalho em estéreo; uma pista para o lado esquerdo, outra para o lado direito).

O que é masterização?

A masterização envolve o mesmo princípio da mixagem: Obter o melhor resultado. Porém agora a música é um todo, não está mais separada em pistas, trilhas diferentes. Nela você define a melhor equalização, verifica se há necessidade de maximizar o ganho, utilizar um compressor, reduzir ruídos, e ainda adiciona alguns efeitos que atuariam na música toda (por exemplo, um pequeno reverb). A masterização é importante pois seu resultado é o que será ouvido. Na verdade masterizar é “esquentar o som” para que ele fique o mais perfeito possível, em termos de qualidade sonora e fidelidade.

O que significa áudio em 16, 20, ou 24-bit ? E 44.1, 48 ou 96 kHz?

Normalmente existe uma grande preocupação com a resolução (número de bits) do áudio digital de uma placa ou sistema de gravação. Porém muita confusão é feita nesse caso. A melhora da qualidade de áudio se deve a uma série de fatores e não somente à resolução. Ela deve ser considerada como mais um dos fatores determinantes na compra de um produto. Existem placas profissionais gravando em 16 bit e placas totalmente amadoras gravando em 20-bit. Isso não indica qualidade final de áudio. O mais importante é considerar também a qualidade dos conversores de áudio ou a relação de sinal/ruído. Ah, e não confunda o número de bits da conversão analógica para digital (ou vice-versa) com o número de bits de processamento interno da placa (processamento de efeitos, por exemplo).

O que são entradas e saídas de áudio digital ? E quais são os padrões de áudio digital?

São conexões que permitem a transferência de áudio bit a bit sem perdas. Desta forma um áudio transferido digitalmente não perde nenhuma de suas características originais. Atualmente existem muitas placas e interfaces de áudio que possuem entradas e saídas digitais. Estas placas e interfaces comunicam-se digitalmente com outras placas ou equipamentos que possuam as mesmas saídas e entradas digitais como ADATs, DATs, Mini-discs, mesas digitais e outros. Cada um destes equipamentos possuem um ou mais padrões de transferência. Vamos falar um pouco sobre eles:
- AES/EBU: foi desenvolvido pela AES (Audio Engineering Society) juntamente com a EBU (European Broadcasting Union). Este formato utiliza conectores do tipo XLR (Canon) e pode ser usado cabos de até 100 metros. Este formato é considerado um dos mais profissionais do mercado.
- S/PDIF (Sony/Philips Digital Interface Format) foi derivado do AES/EBU. Utiliza cabos coaxiais de até 10 metros com conectores RCA ou em formato óptico com conexão TosLink e cabos ópticos. Praticamente todas as placas e interfaces do mercado usam este protocolo devido a maior simplicidade e custo menor.
- ADAT LitePipe (Alesis): Formato ótico de transferência digital capaxz de transmitir por apenas um cabo ótico até 8 canais de áudio. Apesar de utilizar a mesma conexão do S/PDIF ótico são formatos totalmente diferentes. Algumas placas e interfaces fazem uso da mesma conexão, porém com opção de escolha entre os protocolos via software. O tamanho máximo permitido ao cabo é de 10 metros, e encontra-se no mercado cabos de 1, 2 e 5 metros.


Programas


Sound Forge

Este é um software de uma pista (mono ou estéreo) por vez, e não exige muito da placa de áudio ou do micro. Funciona bem com qualquer placa que tenha driver MME, mesmo que não sejam dos melhores.

Pro Tools

O Pro Tools é um software para Macintosh ou PC. Dependendo do hardware (placas/interfaces) a capacidade do sistema Pro Tools pode ser ampliado de acordo com suas necessidades. Do mais simples ao mais avançado sistema, o Pro Tools tem sido utilizado por anos, tanto por home-studios como pelos maiores estúdios musicais e de cinema do Brasil e de todo o mundo.
Atualmente existem várias opções para configuração de um sistema Pro Tools, com as versões Pro Tools 5.1 e Pro Tools LE 5.1 (uma versão mais simples): Para o software Pro Tools existem 4 opções de interfaces de áudio, descritas ao final deste texto.

• Tool Box: Software Pro Tools LE e placa de áudio Audiomedia III. Possui 2 entradas e saídas analógicas e 2 entradas e saídas digitais (S/Pdif coaxial). Permite a gravação de até 24 pistas de áudio, possui recursos básicos de MIDI e plug-ins em tempo real pelo novo sistema RTAS (Real Time Audio Suite). A Audiomedia III não possui conexões MIDI, portanto é necessário usar uma placa ou interface que realize a função de gravação e reprodução dos dados MIDI. Disponível na versão Macintosh e Windows 98 SE ou Windows ME.

• Digi 001: Software Pro Tools LE e interface de áudio externa Digi 001 (24-bit) com 8 entradas e saídas analógicas (2 delas com pré-amplificação e phantom power), 8 entradas e saídas digitais no formato ADAT e mais 2 entradas e saídas digitais (S/Pdif coaxial ou óptico). Saída de monitor e saída de fone de ouvido com volume individual no painel frontal. Possui ainda entrada e saída MIDI, permitindo a conexão de teclados controladores, módulos de som ou superfícies de controle (como a Motormix) Permite a gravação/reprodução de até 24 pistas de áudio. possui recursos básicos de MIDI e plug-ins em tempo real pelo novo sistema RTAS (Real Time Audio Suite). Disponível na versão Macintosh e Windows 98 SE ou Windows ME.

• Pro Tools 24: Software Pro Tools e várias opções entre interfaces de áudio. O sistema é composto de software e duas placas, a D24 (responsável pela conexão à interface) e a DSP Farm (responsável pelo processamento dos plug-ins em tempo real). O sistema pode possuir várias configurações e permite o uso de várias placas DSP Farm, para aumento da capacidade de processamento em tempo real. Permite a gravação/reprodução de 32 pistas de áudio em 16 ou 24-bit (expansível até 64 pistas), possui recursos básicos de MIDI e plug-ins em tempo real pelo sistema TDM. Disponível na versão Macintosh e Windows NT.

• Pro Tools 24 Mix: Software Pro Tools e várias opções entre interfaces de áudio. O sistema é composto de software e uma placa, chamada Mix Core (responsável pela conexão à interface e pelo processamento dos plug-ins em tempo real, com capacidade 3 vezes superior às DSP Farms). O sistema pode possuir várias configurações. Permite a gravação/reprodução de 32 pistas de áudio em 16 ou 24-bit (expansível até 64 pistas), possui recursos básicos de MIDI e plug-ins em tempo real pelo sistema TDM. Disponível na versão Macintosh e Windows NT.

• Pro Tools 24 Mix Plus: Software Pro Tools e várias opções entre interfaces de áudio. O sistema é composto de software e duas placas, a Mix Core (responsável pela conexão à interface e pelo processamento dos plug-ins em tempo real) e a Mix Farm (4 vezes o processamento da DSP Farm). O sistema pode possuir várias configurações. Permite a gravação/reprodução de 32 pistas de áudio em 16 ou 24-bit (expansível até 64 pistas), possui recursos básicos de MIDI e plug-ins em tempo real pelo sistema TDM. Disponível na versão Macintosh e Windows NT.

As linhas de Pro Tools TDM (PT 24, Mix e Mix Plus) não possuem conexões MIDI. Para utilizar esta função é necessário o uso de placa ou interface MIDI.

Interfaces para o software Pro Tools:

• 882/20 – Interface de áudio com 8 entradas e 8 saídas analógicas mais 2 entradas e saídas S/Pdif coaxial. Conversores A/D e D/A de 20-bit. Conexões P-10 balanceadas ou não-balanceadas.

• 888/24 – Interface de áudio com 8 entradas e 8 saídas analógicas mais 8 entradas e 8 saídas digitais AES/EBU. Conversores A/D e D/A de 24-bit. Conexões XLR.

• 1622 – Interface de áudio com 16 entradas e 2 saídas analógicas P-10 balanceadas ou não-balanceadas, 2 entradas e saídas digitais S/Pdif coaxiais. Conversores A/D e D/A de 20-bit.

• ADAT Bridge/24Interface de áudio com 16 entradas e 16 saídas de áudio digitais no formato ADAT, mais 2 entradas e saídas S/Pdif coaxiais. Gravação e reprodução em 24-bit. A Adat Bridge na verdade trabalha como duas interfaces em uma só, sendo necessário um cabo “Y” e um cabo extra para funcionamento dos 16 canais simultaneamente.